sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Economia da cultura

Diário da Manhã - Da Redação

São bastante recentes as discussões sobre a economia da cultura e os benefícios gerados por ela ao desenvolvimento econômico. Dentro dela, enquadram-se os produtos e serviços que possuem potencial financeiro e valor simbólico, como o artesanato, indústrias culturais, turismo cultural, patrimônio cultural, moda, design, música, artes cênicas, produções cinematográficas, equipamentos culturais como teatros, cinemas, museus, dentre outros. Este mercado, sempre em expansão, teve seu primeiro panorama no Brasil estudado em 2006, quando o IBGE apurou os gastos dos brasileiros com cultura e constatou que as famílias gastam 4,4% de seu orçamento mensal com cultura. Sendo este o quarto item da lista das despesas familiares, superado apenas por habitação, alimentação e transporte.

Em parceria com o Ministério da Cultura, em 2008, o IBGE realizou pesquisa dos indicadores da economia da cultura e obteve números expressivos: no Brasil, 320 mil empresas atuam no setor cultural, o que representa 5,7% do total das empresas do País, e geram 1,6 milhões de empregos, 4% do total de postos de trabalho, e os salários médios são de 5,1 salários mínimos, 47% superior à média nacional.

Nas estimativas do Banco Mundial, a economia da cultura representou 7% do PIB mundial em 2003. Nos EUA, ela representa algo em torno de 7,7% do PIB e 4% da força de trabalho, e os produtos culturais encabeçam a lista de exportações do país. Na Inglaterra, as produções culturais corresponderam a 8,2% do PIB em 2004 e empregaram 6,4% dos trabalhadores e desde 1997 vem crescendo 8% ao ano. Resultados tão positivos levaram o governo inglês a criar, em 2006, o Ministério das Indústrias Criativas. No Brasil, o ex-ministro da Cultura Gilberto Gil fez do tema uma das prioridades de sua gestão, e o BNDES criou recentemente o Departamento da Economia da Cultura.

Diante disso, é preciso intensificar as estratégias para este segmento, com largo potencial de expansão no Brasil. Delas devem constar facilidades para os financiamentos públicos e privados, legislações específicas, capacitação dos agentes envolvidos, regulação, dentre outras ações que permitam a profissionalização dos responsáveis e a execução de planos, programas, projetos que, desta forma, intensifiquem as produções culturais.

Em parte, o governo federal já vem fazendo seu papel, através do Ministério da Cultura, nos diversos eventos e projetos que apóia pelo Brasil. Mas é preciso também ter políticas públicas municipais dispostas a mergulhar neste tema e acreditar nas potencialidades locais existentes e nelas investirem, permitindo o desenvolvimento cultural das cidades. Mas os investimentos públicos em cultura nos municípios brasileiros são bastante tímidos. Conforme divulgou o Ministério da Cultura, a média nacional é 0,9% do orçamento total do município – exceção para Recife, que possui algo próximo de 2% do orçamento dedicado aos investimentos culturais.

Um maior investimento em cultura não irá gerar apenas mais emprego e renda aos entes envolvidos. Ele também possibilitará o desenvolvimento de uma consciência crítica e desenvolverá as diversas potencialidades dos indivíduos que a eles tiverem acesso. A ampliação e formação de novo público para os eventos culturais incluirão grande faixa da população, promoverão mais cidadania e permitirão que todos tenham mais uma oportunidade de trabalho, lazer e, obviamente, acesso à arte.


Marcos Haddad é produtor cultural, economista e especialista em políticas públicas. Foi diretor do Tesouro Municipal da Prefeitura de Goiânia, assessor parlamentar e atualmente é coordenador de Políticas Públicas da Secretaria do Desenvolvimento Territorial do Ministério do Desenvolvimento Agrário,
em Brasília

Um comentário:

tony disse...

Bom dia Lala

Estou comecando a desenvolver um monografia na area de Economia da Cultura.

e Gostaria de uma orientação

se puder me dar alguma ajuda

tonybrm@hotmail.com